A Biblioteca de Raquel

Raquel Cozer

 

O stand up comedy de Leonard Cohen

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Se fôssemos mais inteligentes, como Carlos Nascimento, o compositor e escritor Leonard Cohen estaria hoje no topo dos Trending Topics, esse devastador raio-X da capacidade que temos de raciocinar coletivamente.

Hoje saiu o novo disco dele, "Old Ideas", disponível em streaming na íntegra até não sei quando no site da NPR (com esse áudio, ao qual cheguei via blog da Cosac Naify, está sendo um bom dia para trabalhar).

Hoje também começou a pré-venda do primeiro romance dele, "A Brincadeira Favorita" (1963), enfim traduzido no Brasil, por Alexandre Barbosa de Souza. O livro, relato das descobertas amorosas e literárias de um personagem que tem lá suas semelhanças com o próprio Cohen, chega às lojas no dia 1º de março pela Cosac.

Um trecho do romance saiu na Ilustríssima do último fim de semana (disponível para assinantes Folha/UOL).

Mas a melhor descoberta do dia, para mim, foi esse vídeo, via Rogério Ortega no Twitter. Nele aparece um Leonard Cohen de 30 anos, com uma carinha de Dustin Hoffman (aos 30, é claro), em visita à sua Montréal natal, fazendo uma stand up comedy mais sofisticada do que tudo o que nós, que já fomos mais inteligentes, vemos hoje em dia. 

O vídeo, em inglês sem legendas, tem 44 minutos. E ainda estou brigando com a internet para assistir a ele na íntegra, mas tem muito mais do que Cohen fazendo graça. Ele lendo seus escritos, inclusive. Afinal, como conta o narrador do documentário, Cohen, àquela altura com quatro livros já publicados, "não é originalmente um comediante de stand up, mas um romancista, um poeta e um jovem homem muito confiante". 

A música? A música viria só dois anos depois, em 1966.  

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Escrito por Raquel Cozer às 16h36

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Só mais uma sobre o Kevin

Na semana retrasada, falei por telefone com o Ezra Miller, o ator que vive o Kevin adolescente no "Precisamos Falar sobre o Kevin", que estreou anteontem. Preferia ter falado com a Tilda Swinton, fora de série no papel da mãe, mas no fim das contas a conversa foi uma boa surpresa. 

Ezra é um menino inteligente, gentil e articulado (ele tem 19 anos, chamar de menino é velhice minha). O Kevin que ele faz é bem mais sensual do que se imagina lendo o livro homônimo da Lionel Shriver, o que de certa forma causa uma inimaginável empatia com o personagem. Parece um pequeno hipster de roupas justas, ao ponto de me fazer esquecer que no livro ele se veste assim para ficar esquisito e irritar a mãe.

Perguntei a ele se leu o livro; ele disse que não quis ler antes para não se influenciar, porque no romance a história é contada pela mãe, e a mãe, vamos combinar, não entende tão bem assim o filho. Perguntei se leu depois de fazer o filme e ele, hm, leu trechos.

Por outro lado, fã de neurociência, tem várias teorias a respeito do comportamento do personagem. Trato um pouco disso no texto --do qual coloco um trecho abaixo-- que saiu hoje na "Ilustrada".

E prometo não falar mais sobre o Kevin aqui. Desculpem, me excedi*.

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"Os EUA têm obsessão pela violência"

Ator de "Precisamos Falar sobre o Kevin", que trata de matança em escola, diz que sociedade cria "instintos terríveis"

RAQUEL COZER
DE SÃO PAULO

Num extrato de "Precisamos Falar sobre o Kevin" divulgado na internet quando o filme concorria à Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2011, um Kevin ainda bebê chora ininterruptamente enquanto a mãe, Eva (Tilda Swinton), tenta acalmá-lo.

A paz, ou alguns segundos dela, Eva alcança apenas quando para com o carrinho perto de uma obra, e o choro se mistura ao som da britadeira. 

O descompasso entre mãe e filho só cresce daí em diante, culminando com uma matança cometida por Kevin, agora adolescente, na escola.

A natureza do crime aparece nas sinopses do filme, que acaba de estrear em circuito nacional, e é quase tudo o que se pode falar sobre ele sem prejudicar seu impacto.

Baseado no romance homônimo de 2003 da americana Lionel Shriver, o longa-metragem da escocesa Lynne Ramsay foi esnobado pelo Oscar (esperava-se que pelo menos Tilda Swinton, que concorreu ao Globo de Ouro, fosse indicada como atriz). Mas adapta com fidelidade, até onde a diferença de linguagens permite, o premiado romance de Shriver.

A íntegra do texto está aqui, para assinantes Folha/UOL

***

* "Desculpem, me excedi" é uma cortesia Audrey Furlaneto

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Escrito por Raquel Cozer às 17h57

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PERFIL

abibliotecaderaquelRaquel Cozer, 33, é jornalista especializada na cobertura de livros e repórter da "Ilustríssima".


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