A Biblioteca de Raquel

Raquel Cozer

 

10 leituras para os próximos meses

Ainda era 2011 e todo mundo já estava falando das apostas das editoras para 2012. A seleção abaixo inclui algumas delas, mas é basicamente composta por livros que, por um motivo ou outro, eu quero muito ler. Mais um ou outro título que já li, gostei e recomendo.

Diria que é um breve exercício de futurologia, se na verdade não levasse muito em conta o que li ou ouvi a respeito. 

É claro que é uma lista um bocado incompleta. Quase nada nacional, porque levo em conta informações sobre os livros, e não posso ter informações concretas sobre livros que ainda não existem. Por acaso, e posso apostar que virá alguém me criticar por isso, quase toda originalmente de língua inglesa. Coincidiu de serem os que mais quero ler das listas que chegaram até mim (só das poucas editoras que mandaram até agora seus lançamentos de 2012). Prometo incluir uns latinos, brasileiros e outros tantos, na próxima, em nome do equilíbrio.

E conto com a ideia de me surpreender com muitos outros que ainda não sei que estão previstos. Logo mais faço outra.

***

* "Os Imperfeccionistas" (Record), de Tom Rachman
Um dos livros do ano de 2010 da "Economist" e minha primeira aquisição no Kindle. Daria uma linda série, um "Mad Men" do jornalismo. Isso se "Mad Men" fosse realmente boa, e não só uma série bonita (desculpem, juro que tentei gostar, mas é novelão demais). 

* "A Visita Cruel do Tempo" (Intrínseca), de Jennifer Egan
Assim como o livro do Rachman, é uma bela narrativa caleidoscópica em torno de um universo cultural --neste caso, o da música pop. Ainda lendo, com a certeza de que vale terminar. Levou o Pulitzer, o National Book Critics Circle Award e o prêmio do "Los Angeles Times".

* "Brincadeira Favorita" (Cosac Naify), de Leonard Cohen
O Cohen ganhou o Príncipe das Asturias de letras e vieram resmungar que ele é músico, mas muito antes disso ele já escrevia melhor que todos nós. Inédito em português, foi o primeiro romance dele, de 1963, e é também o primeiro dele que leio (sempre bom lembrar que o primeiro disco dele com inéditas em oito anos sai logo mais)

* "1922, a Semana que Não Terminou" (Companhia das Letras), Marcos Augusto Gonçalves
O Mag foi meu chefe na Ilustrada até 2009 e nos abandonou para escrever este livro, cujo trecho inicial foi capa da última "Ilustríssima" (assinantes Folha/UOL). A referência que posso dar é "Pós-Tudo: 50 Anos de Cultura na Ilustrada", uma delícia. Ele fala com muito mais empolgação de "1922", então dá para ter uma ideia.

* "A Trama do Casamento" (Companhia das Letras), de Jeffrey Eugenides
O livro que o "rival do bem" de Jonathan Franzen e vencedor do Pulitzer demorou seis anos para escrever. Estilo Franzen, mas, dizem, melhor. Isso me obriga a ler também, droga. Parece que a Companhia queria trazê-lo para a Flip, parece que não rolou, parece que isso é bom para evitar uma saia justa com Franzen, que está confirmado. 

* "The Spoiler" (Companhia das Letras), de Annalena McAfee
É cabotinismo, quero ler porque é sobre jornalismo. E, dizem, muito bom. Annalena é mulher do Ian McEwan (Annalena McAfee McEwan? Ainda bem que ingleses não acumulam sobrenomes)

* "Expurgo" (Record), de Sophie Oksanen
Faz mais de um ano que ouço Luciana Villas-Boas falar desse livro com empolgação acima da média. A Luciana acaba de sair da Record, de onde era diretora editorial fazia 17 anos, mas o livro fica. A autora, finlandesa, virou sensação na França com ele.

* "Open City" (Companhia das Letras), de Teju Cole
Cole, nigeriano radicado nos EUA, estreou na literatura com esse livro sobre raça e identidade em Nova York, e isso bastou para um alentado perfil na "New Yorker" e outro na "Economist". Eu preciso ler nem que seja para descobrir se um dia o excesso de propaganda não vai parar de arrasar com as minhas expectativas.

* "Jogador Número 1" (Leya), de Ernest Cline
Outra estreia, esta inspirada em games e prestes a virar filme 3D, uma ficção científica que se passa em 2044. Nerd até o osso (oba) e também o livro preferido da Diana Passy em 2011 (recomendação respeitável). Já está na mão faz alguns meses, só falta ler.

* "1Q84" (Alfaguara), de Haruki Murakami
Os dois primeiros livros da trilogia do autor japonês que faz referência e questiona ao mesmo tempo o clássico de George Orwell. E que seria meu primeiro livro no Kindle, se eu tivesse conseguido comprar. Sei lá porque cargas d'água consegui pegar só uma amostra.

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Escrito por Raquel Cozer às 20h54

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Empresas querem medir vendas de livros no Brasil


Os mais vendidos de 2011, segundo Publishnews, que contabiliza dados de lojas cujas vendas somam 35% da comercialização em livrarias no país (Fabio Braga/Folhapress)

 

No fim do ano passado, num post sobre os livros mais vendidos de 2011, escrevi sobre a ausência, no Brasil, de uma empresa que aferisse as vendas de livros, tal como a Nielsen, nos EUA.

De lá para cá, a Patrícia Campos Mello, repórter especial da Folha, e eu nos debruçamos sobre os números incertos do mercado editorial. E apuramos que duas das maiores empresas estrangeiras que fazem esse tipo de medição querem entrar no país.

Abaixo, um trecho da reportagem, capa da Ilustrada de sábado.

***

Gigantes em pesquisa de mercado querem medir vendas de livros no Brasil em 2012; dados imprecisos prejudicam expansão do setor

 

PATRÍCIA CAMPOS MELLO
RAQUEL COZER
DE SÃO PAULO

A Nielsen e a GfK, duas das maiores empresas de pesquisas de mercado do mundo, planejam começar a medir as vendas de livros no Brasil ainda neste ano. Hoje, o mercado brasileiro não é aferido de forma confiável por nenhum instituto do gênero e depende de dados de editoras e livrarias, que nem sempre informam os números verdadeiros.

Num momento em que o mercado editorial brasileiro chama a atenção internacional --o exemplo mais recente foi a aquisição de 45% da Companhia das Letras pelo grupo britânico Penguin--, a falta de dados concretos prejudica decisões editoriais e interfere em seu crescimento.

"Hoje, o processo é impreciso e lento. Só sabemos números de vendas pelas livrarias de forma aproximada", diz Roberto Feith, vice-presidente do Snel (sindicato dos editores) e diretor presidente da editora Objetiva. "Com a Nielsen, teremos em tempo real a venda por título, o que ajudará a evitar a falta de livros nas lojas e o desperdício de tiragens", diz.

***

A íntegra do texto está aqui e aqui, para assinantes da Folha ou do UOL.

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Escrito por Raquel Cozer às 18h46

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Uma prévia de "Precisamos falar sobre o Kevin"


Tilda Swinton e Ezra Miller (esse Kevin lindo que foram arrumar) em cena do filme

Acho que nunca emprestei um livro tantas vezes, algo como sete ou oito vezes, quanto "Precisamos Falar sobre o Kevin", da Lionel Shriver.

O livro me pegou de um jeito que, por anos, fiquei com medo de folhear de novo. Porque no meio do caminho a Carol Bensimon --escritora gaúcha, autora do ótimo "Sinuca Embaixo D'Água"-- leu, após indicação minha, e não achou tudo isso (a única pessoa que conheço a pensar assim). E, até por respeitar demais a opinião dela, achei melhor me proteger do risco de descobrir que eu estava errada.

Ontem vi o filme, que estreia agora dia 27 no Brasil. Não vou falar dele ainda. Mais pra frente, um pouquinho. Antes quero reler o romance (tomei coragem). Por ora, digo que a adaptação surpreendentemente deixa muito, muito pouco a dever ao original --porque filmes quase sempre devem um bocado ao livro--, até onde é possível transpor informações narrativas. O filme é tão bom que lamentei não ter podido recorrer aos serviços de uma Lacuna Inc. (ref. cit. Charlie Kaufman) para me abismar de novo com momentos-chave da história.

E, por enquanto, fica também aí um dos trailers divulgados desde o ano passado. Direção e adaptação são da Lynne Ramsay, cujo trabalho eu não conhecia. E a trilha sonora é para ouvir até cansar.

***

Por falar no livro, a capa da edição brasileira, que tanto elogiei (a mais bonita de todas as edições internacionais que vi) vai mudar. A partir da sexta-feira, o livro chega às lojas com a clássica "capa do filme". Mais chamativa, indeed, mas ainda fico com a original.

 

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Escrito por Raquel Cozer às 15h29

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PERFIL

abibliotecaderaquelRaquel Cozer, 33, é jornalista especializada na cobertura de livros e repórter da "Ilustríssima".


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