Meu Google Reader é uma caixa de surpresas (elas se escondem entre entulhos). Estava aqui vendo meus feeds quando esbarrei nesta tira:

Achei boa a sacada, daí entrei no blog onde ela estava, chamado Menina Não Pode. Diz a lógica que assinei os feeds em algum momento, embora eu não tenha a menor lembrança disso. E, olha, que bom (re)descobrir a página. A autora, Lívia Carvalho, assina como Libu, tem 27 anos e faz belas tiras sobre situações femininas. Como essas abaixo.



Não gosto de pensar em arte por gênero, mas, vai, não há como negar que esse é um cenário de artistas homens no Brasil. Nada mal ver uma mulher talentosa assim, não só no traço como na habilidade de fazer graça sem errar a mão --que é sempre o mais difícil no formato.
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Escrito por Raquel Cozer às 21h00
Semanas atrás vi um ou outro site noticiando que a meta da Amazon é chegar a Argentina, Chile e Brasil em 18 meses. Isso jogaria a estreia da Amazon brasileira para 2013. Considerando que no começo deste ano dava-se como certo que a esta altura a varejista estaria instalando as bases de sua barraquinha por estas bandas, seria um raro caso de deadline que, quanto mais o tempo passa, mais distante fica.
É que a primeira grande investida da Amazon, em junho, foi um tanto quanto, hm, infrutífera. Um executivo deles veio ao Brasil, conversou com um monte de editores e não convenceu ninguém. O modelo de contrato proposto não era interessante --a varejista queria a prerrogativa de definir descontos sobre os títulos à venda, que foi justamente uma das coisas que fez editoras americanas caírem matando em cima da loja em 2010 (falei disso num dos primeiros posts do blog, no antigo endereço).
Na semana passada, o Radar Online informou que a Amazon voltaria por estes dias para nova rodada de negociações, com o objetivo de "instalar-se aqui de qualquer maneira até abril." Posso estar errada (estou meio afastada da reportagem neste mês, com mais encargos de edição, então nem pude apurar sobre as conversas recentes), mas não consigo enxergar como a loja, além de dobrar editores, conseguiria superar outro empecilho --a concorrência com a Saraiva, que no Brasil tem mais poder de negociação, já que é também a maior vendedora de livros impressos.
***
No meio disso tudo, também por esses dias, o Google veio falar com livreiros e editores (o Publishnews fez uma detalhada descrição do encontro), com a meta de instalar seu modelo de negócios de e-books no país ainda no primeiro semestre do ano que vem. É engraçado como o Google ameaçava vestir a fantasia de vilão da comercialização de livros digitais até a Amazon se mostrar muito mais competente para ganhar a antipatia das editoras. Parece que com o Google as coisas avançam melhor --inclusive porque ele faz parcerias também com as livrarias, em vez de bater de frente com elas, como faz a Amazon.
Mas existem motivos para os editores ficarem com o pé atrás. Por exemplo, o Google tem tecnologia própria de conversão, muito rápida, que é oferecida às editoras que queiram digitalizar seus livros. Mas os arquivos convertidos não são entregues à editora; ficam numa nuvem do Google. Além disso, a empresa oferece uma plataforma para venda de e-books que as editoras podem instalar em seus sites, simulando suas próprias lojas. Só que o fechamento da transação de compra se dá no site do Google. Ou seja, eles ganham de lambuja acesso aos dados do comprador, que valem ouro puro na internet.
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Escrito por Raquel Cozer às 17h53

A Dani Arrais foi quem postou a história e, pois é, eu podia ter só retuitado. Mas motivos de identificação maior (explícitos na faixa vermelha acima) me levaram a achar mais honesto roubar de uma vez.
É que, a partir do dia 12, a artista Marilá Dardot faz no Instituto Tomie Ohtake, em SP, nova edição de sua "A Biblioteca de Babel" (imagens acima), de 2005. É uma biblioteca temporária, com livros em estantes de papelão para os visitantes lerem. Ok, até aí você poderia chamar todo o projeto só de, hm, biblioteca, e não de arte. Mas a coisa está no conceito.
Os títulos a serem expostos podem ser meus, seus e de quem mais tiver o desapego de deixar parte de seu acervo pessoal por dois meses em estantes alheias. Para participar, basta entregar desde já os livros na recepção do Tomie Ohtake. Todos serão catalogados, bem cuidados e, ao fim da exposição, devolvidos (na verdade, você tem que ir lá buscar).
Só não vale pegar livros que não queira mais e desovar na portaria do instituto. A ideia é que sejam títulos que você julgue imprescindíveis numa biblioteca. E, sendo assim, você há de querê-los de volta --os visitantes só poderão folheá-los na mostra, então nem se preocupe com furtos. Dá para fazer um estudo com a lista de livros mais emprestados...
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A artista mineira Marilá Dardot, representada pela paulistana Galeria Vermelho, tem um histórico de obras movidas por questões literárias. Uma pequena mostra, abaixo (e outras dá para ver aqui).


Obras da mostra "Tratado de Pintura e Paisagem", de 2009


Obras da mostra "Ulysses", de 2008


E obras da mostra "Ficções", de 2008, para encerrar com outra remissão a Borges
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Escrito por Raquel Cozer às 13h10

Elisa, ao lado do pai; Tânia, a irmã do meio, ao lado da mãe; a pequenininha, "espantosamente bonita", como diria Tânia anos depois, é Clarice. A foto é anterior à chegada da família Lispector ao Brasil
Fazia tempo que eu não via um domingo tão noticioso, com a morte do Sócrates logo cedo, causando justa comoção ao longo do dia, o pentacampeonato do Corinthians e, antes que o domingo acabasse, a despeito de ser só um domingo, sabe, e não um dia útil desses de festa da uva em Brasília, a queda de mais um ministro.
Tem sua ironia que meu texto sobre Elisa Lispector, pensado fazia tempo como capa da "Ilustríssima", tenha saído justo neste dia. Porque Elisa tinha essa sina de ficar em segundo plano. E, num dia de Sócrates, Corinthians e Lupi, não dá para imaginar ninguém muito atento a uma discussão sobre a irmã de Clarice (o curioso é que foi com uma ironia assim que abri o texto: Elisa morreu dias após naufrágio do Bateau Mouche, no Réveillon de 1989, e sua morte passou quase despercebida).

Elisa, a própria, que foi funcionária pública por 30 anos e escreveu sete romances
Enfim. Não vim chorar as pitangas do domingo, e sim falar de Elisa.
Elisa tem um único livro em catálogo hoje, "No Exílio" (1948), reeditado em 2005 pela José Olympio. O mais elogiado (ou, como ouvi esses dias, um livro que "não deixa nada a dever a Clarice") é "O Muro de Pedras", cujos direitos a JO também comprou, mas acabou não reeditando, porque as vendas de "No Exílio" não foram muito emocionantes.
Só por isso a publicação, prevista para as próximas semanas, de "Retratos Antigos", que Elisa escreveu nos anos 70, seria importante, mas tem mais. O texto ajuda a esclarecer pontos da biografia dos Lispector desde antes de eles pensarem em sair da Ucrânia. É um texto informal, que Elisa fez para os sobrinhos (ela própria nunca casou nem teve filhos) e que revela histórias que talvez Clarice mesmo não soubesse. Nada bombástico, tudo muito sutil.

Tânia com a filha Márcia, uma das sobrinhas a quem Elisa dedicou "Retratos Antigos", ao lado de Clarice e Maury Gurgel Valente, marido dela
Quem descobriu meses atrás que "Retratos Antigos" estava em vias de publicação foi meu editor, Paulo Werneck. Ele me passou essa bola e começamos a pensar em como abordar a história. Trecho do texto da Elisa saiu na contracapa da "Ilustríssima" de hoje. A reportagem publicada junto foi se desenhando ao longo da apuração. Fui me apaixonando pela personagem. A história de Elisa é algo muito, muito triste. Mais que a de Clarice, inclusive, se é que a minha escala de tristeza pode servir de parâmetro aqui.
Bem, você sempre pode ler e me dizer se estou errada.
Se quiser um incentivo para clicar no link com a reportagem, que saiu hoje na "Ilustríssima", há nele uma bela foto das três irmãs juntas, Elisa adolescente, Clarice ainda menina.
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Escrito por Raquel Cozer às 20h32
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