A Biblioteca de Raquel

Raquel Cozer

 

Exclusivo: mudança no resultado do Jabuti

O vencedor do Jabuti de biografia deste ano, "Alceu Penna e As Garotas do Brasil: Moda e Imprensa - 1933 a 1975" (Amarilys), de Gonçalo Junior, acaba de ser retirado do prêmio. A edição lançada em 2010 foi a primeira pelo selo Amarilys, mas uma edição anterior saiu pelo independente Cluq (Clube dos Quadrinhos) em 2004. A primeira linha do regulamento do Jabuti diz que só obras inéditas podem concorrer.

No lugar, entra "O Teatro e Eu" (Tinta Negra), de Sergio Britto.

(Vale ressaltar que o primeiro lugar, na verdade, ficou com "De Menino a Homem", de Gilberto Freyre, publicado pela Global, mas livros inéditos de autores que já morreram levam só prêmio "in memoriam").

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Ok, dada a notícia, vamos às ponderações.

O caso da retirada da biografia de Gonçalo Junior é exatamente igual ao da desclassificação, ainda nas finais, do ensaio "Itinerário de uma Falsa Vanguarda", do Antonio Arnoni Prado, que teve edições bem diferentes em 1983 e 2010 (tratei do assunto aqui).

Naquele caso, tive as duas edições em mãos e achei que não era o caso de uma desclassificação. Neste caso, agora, vi só a edição mais recente, bem bonita, por sinal - não li, portanto não posso julgar o conteúdo -, e ouvi a editora sobre a antiga edição.

A editora Amarylis Manole diz que, como integrante do Snel (entidade livreira), entende a decisão da curadoria: não se pode abrir margem para a dúvida no quesito ineditismo. Ainda assim, destaca as diferenças. O livro de 2004, que saiu com 300 cópias, tinha 138 páginas, ante 352 do de 2010 (tiragem de 5.000), e um volume de informações pelo menos 2,5 vezes maior. Além disso, 90% das imagens são novas. 

É compreensível a curadoria do Jabuti retirar a premiação. Se o resultado abre margem para a dúvida, é preciso eliminar essa margem, e nesse sentido não se pode dizer que a curadoria não tenha tomado decisões imediatas desde os primeiros problemas pós-anúncio dos finalistas.

O que acho importante reafirmar é a necessidade de o Jabuti repensar conceitos e de forma menos pontual. As mudanças do último ano foram muito mais para agradar segmentos, com o aumento no número de categorias, do que para resolver problemas de fato.

A questão é que o mercado editorial é cada vez menos preto no branco. Ele mudou muito mais que as regras do Jabuti nas últimas décadas. Hoje não é fácil nem definir o que é ficção e o que não é, que dirá definir que uma obra reformulada, como a de Arnoni e a de Gonçalo, não tem ineditismo no conteúdo. Volto a um argumento: por que, então a reunião da "Poesia Completa" (Leya), de Manoel de Barros, pôde permanecer entre os finalistas, se toda a poesia já tinha saído em edições da Record?

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A ilustração acima é de Alceu Penna (1915-1980), cujo traço ficou conhecido nas páginas da revista "O Cruzeiro" dos anos 1930 a 1960. Alceu foi também o primeiro brasileiro a publicar charges na revista americana "Esquire", o homem que ensinou Carmem Miranda a fazer ondas com as mãos enquanto dançava, o figurinista de Marta Rocha no concurso Miss Universo de 1954 e, agora, quem sabe, um personagem para fazer o Prêmio Jabuti repensar o seu formato.

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No mais, parabéns a Sérgio Britto, capa da Ilustrada por ocasião do lançamento de suas memórias (para assinantes), pelo Prêmio Jabuti.

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Escrito por Raquel Cozer às 18h40

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Spike Jonze e os livros que tomam vida

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Spike Jonze achou que dirigir filmes do Kaufman e ainda "Onde Vivem os Monstros", com roteiro de Dave Eggers e música do Arcade Fire, não bastava pra matar a gente de fofura ou felicidade ou sei lá o quê. O trabalho mais recente dele é "só" um curta em stop motion em que capas de livro tomam vida dentro da livraria Shakespeare & Company.
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Tudo bem, se é que isso o defende, que a ideia não foi dele, e sim da designer de bolsas (ou algo que o valha) Olympia Le-Tan. Ele foi encomendar a ela um trabalho e saiu do encontro com um convite para parceria em filme. Juntos com o francês Simon Cahn, os dois escreveram um roteiro e animaram 3.000 peças de pano cortadas por ela. 
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Dá pra ter uma ideia do resultado pelo making of, abaixo.

O vídeo em si, "To Die By Your Side", eu não consegui incorporar, mas está disponível aqui (de onde tirei a notícia, por supuesto).

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Escrito por Raquel Cozer às 15h36

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O dia em que Barnes se livrou de ser Beryl

 

"É o melhor romance que escrevi nos últimos cinco anos", diz Julian Barnes, 65, no vídeo acima, ao comentar o Man Booker Prize que recebeu ontem por "The Sense of an Ending". A piadinha (atente para a discreta pausa dramática que se segue) ele treinou na frente do espelho, certeza. Seu romance anterior, "Arthur & George", saiu em 2005, quando perdeu para "O Mar", de John Banville.

Antes disso, Barnes tinha perdido outras duas vezes o Booker, em 1984, para Anita Brookner, e em 1998, para Ian McEwan. Mais tarde, ele admitiu se sentir aliviado. "Não queria ser enterrado e ganhar um Beryl", brincou, referindo-se à romancista Beryl Brainbridge (1932-2010), que entrou cinco vezes na lista de finalistas do Booker, nunca ganhou e em abril último recebeu um Booker "Best of Beryl" póstumo.

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Escrito por Raquel Cozer às 13h52

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PERFIL

abibliotecaderaquelRaquel Cozer, 33, é jornalista especializada na cobertura de livros e repórter da "Ilustríssima".


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