Motivados por questionamentos levantados aqui no blog e por outros leitores, o curador do Prêmio Jabuti, José Luiz Goldfarb, e membros da CBL fizeram na tarde de hoje uma reunião extraordinária para discutir problemas entre os finalistas da 53ª edição da premiação.
Os dois livros citados no post, "O Outono da Idade Média" (que concorria em tradução) e "As Horas de Katharina" (em poesia), foram desclassificados. O primeiro por ser uma obra de não ficção numa categoria onde só podem concorrer livros de ficção, e o segundo, por ser uma nova edição de obra de 1994.
Além deles, a organização do Jabuti optou pela desclassificação também de "Itinerário de uma Falsa Vanguarda", de Arnoni Prado, que saiu em 2010 pela Editora 34, mas teve edição em 1983 pela Brasiliense.
No lugar, devem entrar, respectivamente:
- tradução: "Estranho Interlúdio" (Edusp), vertido por Alipio Correia de Franca Neto. - poesia, "Dois" (É Realizações), de Érico Nogueira. - teoria e crítica literária: Coleção Ciranda da Poesia (Eduerj), organizada por Ítalo Moriconi.
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Um update importante
Pela manhã, eu questionei as editoras sobre os títulos em avaliação. A Record afirmou que "As Horas de Katharina", de Bruno Tolentino, inclui peça de teatro inédita do autor, além de anotações de Guilherme Malzoni e Martim Vasques da Cunha. A Cosac Naify destacou que "O Outono da Idade Média" "é amplamente reconhecido pela qualidade literária", o que equipararia sua tradução à tradução de uma ficção.
Agora, sobre "Itinerário de uma Falsa Vanguarda", cujo questionamento por leitores fiquei sabendo pela curadoria do prêmio, é possível que o Jabuti tenha de voltar - mais uma vez - atrás na decisão.
Segundo a Editora 34, o livro de 1983, chamado "1922: Itinerário de uma Falsa Vanguarda", era apenas uma parte da pesquisa que Antonio Arnoni Prado publicou na íntegra em 2010, sob o título "Itinerário de uma Falsa Vanguarda: Os Dissidentes, a Semana de 22 e o Integralismo". Aquele tinha 122 páginas, enquanto este tem 296 páginas.
A seguir cenas...
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Uma curiosidade: pela primeira vez desde 2007, houve uma queda no número de inscrições. Com o anúncio de novas categorias e do desmembramento de outras, a CBL esperava mais de 3.000 obras concorrendo (no ano passado foram 2.867), mas o total ficou em 2.619.
Para Goldfarb, o fato de haver apenas um vencedor por categoria, e não mais três, desestimulou as editoras a desembolsarem de R$ 180 a R$ 360 para concorrer. Achei engraçado. Isso me fez lembrar do Sérgio Sant'Anna falando sobre os troféus que já ganhou: "Mas, também, todo mundo já ganhou um Jabuti nesta vida." Nas duas vezes em que ganhou, Sant'Anna foi o primeiro colocado, mas referia-se ao fato de todos os três primeiros lugares serem considerados vencedores.
E outra: a nova categoria de turismo e hotelaria teve seis finalistas, em vez de dez - todos os seis que se inscreveram. As novas categorias foram criadas para "atender a demandas prementes apresentadas por um mercado em franco crescimento". Como lembra Cassiano Elek Machado, diretor editorial da Cosac Naify, no Brasil guias de viagem são em geral traduzidos, já que a produção deles é muito cara.
Carlos Ferreira e Rodrigo Rosa começaram a trabalhar numa graphic novel sobre Allan Kardec tipo muito tempo atrás - antes de iniciarem, concluírem, entregarem e ganharem o HQMix de adaptação pela linda, linda, Os Sertões - A Luta, uma das minhas HQs favoritas de 2010.
Ontem, a Leya/Barba Negra anunciou o recebimento dos originais do livro sobre Kardec, uma "ficção histórica em quadrinhos sobre a origem do espiritismo", com roteiro original de Ferreira e traço de Rosa. O prefácio ficou a cargo de Marcel Souto Maior, biógrafo do médium Chico Xavier. Sai em outubro, durante o Rio Comicon.
Esta quem percebeu foi o jornalista Maurício Tati: indicado na categoria poesia desta edição do Jabuti, o volume "As Horas de Katharina", de Bruno Tolentino, é uma reedição. O regulamento destaca, logo na primeira linha, que podem concorrer apenas obras inéditas. O livro de Tolentino não só não é inédito como ficou em segundo lugar em poesia no Prêmio Jabuti de 1995. A diferença da reedição é a presença de uma peça de teatro de 2007. Justifica a nova indicação em poesia?
Mandei um questionamento para o curador da premiação, José Luiz Goldfarb, e atualizo com a resposta dele quando chegar.
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Quando, no começo do ano, foi anunciada a categoria ilustração no Jabuti - que já dedicava uma categoria à ilustração de livro infantil -, questionei a organização sobre a possibilidade de quadrinhos concorrerem. A resposta, mais honesta impossível, foi que não tinham pensado nisso. A categoria foi incluída para que ilustrações de livros de ciência, por exemplo, pudessem concorrer.
Resultado: entre os selecionados, estão Rafael Coutinho, com "Cachalote", Caeto, com "Memória de Elefante", e Jean Galvão, com "Vó". Mas é preciso ressaltar: quadrinhos não foram contemplados nesta edição, já que HQ é ilustração e roteiro, e o roteiro não entra na conta do Jabuti. O gênero continua se encaixando como dá em categorias como didático e paradidático ou juvenil.
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Na categoria tradução são considerados, segundo o regulamento, textos "exclusivamente literários de ficção (contos, crônicas, romance, poesia)". Assim sendo, é curioso que "O Outono da Idade Média", clássico da historiografia ocidental, apareça entre os dez finalistas.Outra pergunta para Goldfarb.
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Não consegui analisar os finalistas em todas as categorias. Se tiver percebido alguma outra curiosidade, comente, que atualizo o post.
O "Guardian" soltou hoje o trailer de "O Morro dos Ventos Uivantes" de Andrea Arnold - sem vírgula entre o nome do filme e da diretora, porque haja versão do romance de Emily Brontë (1818-1848). Sem contar produções para TV, o IMDb registra adaptações de 1920, 1939, 1970 e 1992 (e uma leva internacional: tem mexicana, francesa e japonesa).
O crítico do jornal britânico gostou do filme, que teve premiere neste Festival de Veneza, estreia na Inglaterra em novembro e ainda não tem data por aqui. Considerou-o ousado tanto no uso da câmera, boa parte do tempo na mão, quanto na escolha de atores negros - o garoto Solomon Glave e o adulto James Howson - para o papel de Heathcliff (em outras encarnações, o personagem ficou com Laurence Olivier e Ralph Fiennes). A ressalva ficou para a relação de Heathcliff com a personagem de sua irmã adotiva, Cathy (Beer Shannon e Kaya Scodelario), que sofre de uma "crucial falta de química" na fase adulta.
A se considerar Fish Tank, única coisa que vi da Andrea Arnold, não imagino nada menos ótimo. Ou muito bom, vá.
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Ainda sobre as irmãs Brontë, a Larousse do Brasil lançou faz pouco um romance baseado na vida delas, Miss Brontë, de Juliet Gael. Costumo ter os dois pés atrás (tipo tombo) com biografias romanceadas, romances históricos e afins, mas ouvi elogios (um só) ao livro, então fica aí a sugestão se alguém quiser ler e depois me contar.
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