A Biblioteca de Raquel

Raquel Cozer

 

A biblioteca ambulante

Juro que desta vez não foi culpa minha, mas a biblioteca está de mudança mais uma vez. Para o Wordpress (oba), que será a ferramenta padrão de todos os blogs da Folha.

Então, enfim, desculpem aí o trabalho, mas agora o caminho é esse aqui.

E os feeds estão aqui (isso porque os assinantes do antigo blog estavam começando a aparecer por aqui...).

Vejo vocês por lá.

Digo, assim espero!

Escrito por Raquel Cozer às 20h41

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Só um tempinho

A vida anda meio corrida. Desculpem a pausa, volto já já.

Escrito por Raquel Cozer às 22h35

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O stand up comedy de Leonard Cohen

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Se fôssemos mais inteligentes, como Carlos Nascimento, o compositor e escritor Leonard Cohen estaria hoje no topo dos Trending Topics, esse devastador raio-X da capacidade que temos de raciocinar coletivamente.

Hoje saiu o novo disco dele, "Old Ideas", disponível em streaming na íntegra até não sei quando no site da NPR (com esse áudio, ao qual cheguei via blog da Cosac Naify, está sendo um bom dia para trabalhar).

Hoje também começou a pré-venda do primeiro romance dele, "A Brincadeira Favorita" (1963), enfim traduzido no Brasil, por Alexandre Barbosa de Souza. O livro, relato das descobertas amorosas e literárias de um personagem que tem lá suas semelhanças com o próprio Cohen, chega às lojas no dia 1º de março pela Cosac.

Um trecho do romance saiu na Ilustríssima do último fim de semana (disponível para assinantes Folha/UOL).

Mas a melhor descoberta do dia, para mim, foi esse vídeo, via Rogério Ortega no Twitter. Nele aparece um Leonard Cohen de 30 anos, com uma carinha de Dustin Hoffman (aos 30, é claro), em visita à sua Montréal natal, fazendo uma stand up comedy mais sofisticada do que tudo o que nós, que já fomos mais inteligentes, vemos hoje em dia. 

O vídeo, em inglês sem legendas, tem 44 minutos. E ainda estou brigando com a internet para assistir a ele na íntegra, mas tem muito mais do que Cohen fazendo graça. Ele lendo seus escritos, inclusive. Afinal, como conta o narrador do documentário, Cohen, àquela altura com quatro livros já publicados, "não é originalmente um comediante de stand up, mas um romancista, um poeta e um jovem homem muito confiante". 

A música? A música viria só dois anos depois, em 1966.  

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Escrito por Raquel Cozer às 16h36

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Só mais uma sobre o Kevin

Na semana retrasada, falei por telefone com o Ezra Miller, o ator que vive o Kevin adolescente no "Precisamos Falar sobre o Kevin", que estreou anteontem. Preferia ter falado com a Tilda Swinton, fora de série no papel da mãe, mas no fim das contas a conversa foi uma boa surpresa. 

Ezra é um menino inteligente, gentil e articulado (ele tem 19 anos, chamar de menino é velhice minha). O Kevin que ele faz é bem mais sensual do que se imagina lendo o livro homônimo da Lionel Shriver, o que de certa forma causa uma inimaginável empatia com o personagem. Parece um pequeno hipster de roupas justas, ao ponto de me fazer esquecer que no livro ele se veste assim para ficar esquisito e irritar a mãe.

Perguntei a ele se leu o livro; ele disse que não quis ler antes para não se influenciar, porque no romance a história é contada pela mãe, e a mãe, vamos combinar, não entende tão bem assim o filho. Perguntei se leu depois de fazer o filme e ele, hm, leu trechos.

Por outro lado, fã de neurociência, tem várias teorias a respeito do comportamento do personagem. Trato um pouco disso no texto --do qual coloco um trecho abaixo-- que saiu hoje na "Ilustrada".

E prometo não falar mais sobre o Kevin aqui. Desculpem, me excedi*.

 ***

"Os EUA têm obsessão pela violência"

Ator de "Precisamos Falar sobre o Kevin", que trata de matança em escola, diz que sociedade cria "instintos terríveis"

RAQUEL COZER
DE SÃO PAULO

Num extrato de "Precisamos Falar sobre o Kevin" divulgado na internet quando o filme concorria à Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2011, um Kevin ainda bebê chora ininterruptamente enquanto a mãe, Eva (Tilda Swinton), tenta acalmá-lo.

A paz, ou alguns segundos dela, Eva alcança apenas quando para com o carrinho perto de uma obra, e o choro se mistura ao som da britadeira. 

O descompasso entre mãe e filho só cresce daí em diante, culminando com uma matança cometida por Kevin, agora adolescente, na escola.

A natureza do crime aparece nas sinopses do filme, que acaba de estrear em circuito nacional, e é quase tudo o que se pode falar sobre ele sem prejudicar seu impacto.

Baseado no romance homônimo de 2003 da americana Lionel Shriver, o longa-metragem da escocesa Lynne Ramsay foi esnobado pelo Oscar (esperava-se que pelo menos Tilda Swinton, que concorreu ao Globo de Ouro, fosse indicada como atriz). Mas adapta com fidelidade, até onde a diferença de linguagens permite, o premiado romance de Shriver.

A íntegra do texto está aqui, para assinantes Folha/UOL

***

* "Desculpem, me excedi" é uma cortesia Audrey Furlaneto

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Escrito por Raquel Cozer às 17h57

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Os livros que inspiraram os filmes do Oscar


"Os Descendentes", romance estreia de Kaui Hart Hemmings, é um livro surpreendente, revitalizante, irônico, audaciosamente cômico.

Isso se a gente confiar nos blurbs, as chamadinhas que as editoras pinçam cirurgicamente da imprensa para divulgar seus livros. Talvez elas ajudem em alguma coisa, se a gente não considerar que elas esquecem o contexto no caminho até a gráfica. Vendo a capa da edição original, em inglês (acima, à esq.), sem blurbs e com ilustração abstrata, eu não teria muita informação sobre o livro, a história de um rico havaiano que precisa lidar com suas terras e suas filhas. Mas daí vejo a capa inspirada no filme recém-indicado ao Oscar (acima, à dir.), tal como saiu no Brasil, e penso que preferiria que as informações da orelha bastassem.

Nunca vou me consolar com a temporada de livros com a capa do filme. E no entanto preciso admitir que, de outro modo, eu não teria ouvido falar no livro, lançado aqui faz duas semanas. Então dá para desconfiar de que a coisa atrai leitores a ponto de editoras como a Alfaguara, reconhecida pelas edições cuidadosas, recorrerem a ela com alguma frequência.

Isso não aconteceu ainda com "A Invenção de Hugo Cabret", de Brian Selznick, que originou o roteiro do longa em 3D homônimo de Martin Scorsese (cujo trailer me enche de vontade de nunca ver o filme). A capa não dá nenhuma pista de que dali tenha vindo um hit hollywoodiano. O livro infantil, que por aqui saiu em 2007 pela Edições SM, é uma linda, linda storyboard (ó eu dando margem para blurb) de mais de 500 páginas ilustradas em preto e branco. Não quero julgar o filme pelo trailer, mas dava para esperar que saísse desse livro mais do que o vídeo insinua.

Dos outros textos que originaram roteiros indicados ao Oscar, "O Espião que Sabia Demais", escrito em 1974 por John Le Carré, foi recém reeditado pela Record. Com a capa do filme, é claro. "Moneyball: The Art of Winning an Unfair Game", de Michael Lewis, livro sobre beisebol que originou "O Homem que Mudou o Jogo", me interessa tão pouco quanto o do Le Carré. Está de bom tamanho conhecer esses só no cinema.

E aqui fazemos uma pausa para a gafe: tinha dito que "Tudo pelo Poder" era baseado em "The Ides of March", homônimo do filme em inglês. Nada a ver (o Márcio que alertou nos comentários). A origem é a peça "Farragut North", de 2008, sobre as primárias democratas em 2004. Abafem o caso.

Fui ler sobre os livros que originaram roteiros do Oscar porque me frustrei com a não indicação de "Precisamos Falar sobre o Kevin". Digo, os membros da Academia podem não ter gostado do filme (eles não entendem nada, é claro), mas, na teoria, o que faz um roteiro adaptado merecer a indicação é o fato de adaptar de forma inteligente o livro que o inspirou. De todo modo, considerando que em geral os votantes mal veem os filmes, seria esperar demais que eles lessem os livros também.

***

Considerei acima os filmes indicados a roteiro adaptado, mas, na categoria melhor filme, há outros que saíram de livros: "Tão Forte, Tão Perto", de Stephen Daldry, que teve como origem "Extremamente Alto e Incrivelmente Perto", de Jonathan Safran Foer; "Histórias Cruzadas", realizado a partir de "A Resposta", de Kathryn Stockett; e "Cavalo de Guerra", que Spielberg filmou a partir do livro de Michael Morpurgo.

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Escrito por Raquel Cozer às 23h12

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10 leituras para os próximos meses

Ainda era 2011 e todo mundo já estava falando das apostas das editoras para 2012. A seleção abaixo inclui algumas delas, mas é basicamente composta por livros que, por um motivo ou outro, eu quero muito ler. Mais um ou outro título que já li, gostei e recomendo.

Diria que é um breve exercício de futurologia, se na verdade não levasse muito em conta o que li ou ouvi a respeito. 

É claro que é uma lista um bocado incompleta. Quase nada nacional, porque levo em conta informações sobre os livros, e não posso ter informações concretas sobre livros que ainda não existem. Por acaso, e posso apostar que virá alguém me criticar por isso, quase toda originalmente de língua inglesa. Coincidiu de serem os que mais quero ler das listas que chegaram até mim (só das poucas editoras que mandaram até agora seus lançamentos de 2012). Prometo incluir uns latinos, brasileiros e outros tantos, na próxima, em nome do equilíbrio.

E conto com a ideia de me surpreender com muitos outros que ainda não sei que estão previstos. Logo mais faço outra.

***

* "Os Imperfeccionistas" (Record), de Tom Rachman
Um dos livros do ano de 2010 da "Economist" e minha primeira aquisição no Kindle. Daria uma linda série, um "Mad Men" do jornalismo. Isso se "Mad Men" fosse realmente boa, e não só uma série bonita (desculpem, juro que tentei gostar, mas é novelão demais). 

* "A Visita Cruel do Tempo" (Intrínseca), de Jennifer Egan
Assim como o livro do Rachman, é uma bela narrativa caleidoscópica em torno de um universo cultural --neste caso, o da música pop. Ainda lendo, com a certeza de que vale terminar. Levou o Pulitzer, o National Book Critics Circle Award e o prêmio do "Los Angeles Times".

* "Brincadeira Favorita" (Cosac Naify), de Leonard Cohen
O Cohen ganhou o Príncipe das Asturias de letras e vieram resmungar que ele é músico, mas muito antes disso ele já escrevia melhor que todos nós. Inédito em português, foi o primeiro romance dele, de 1963, e é também o primeiro dele que leio (sempre bom lembrar que o primeiro disco dele com inéditas em oito anos sai logo mais)

* "1922, a Semana que Não Terminou" (Companhia das Letras), Marcos Augusto Gonçalves
O Mag foi meu chefe na Ilustrada até 2009 e nos abandonou para escrever este livro, cujo trecho inicial foi capa da última "Ilustríssima" (assinantes Folha/UOL). A referência que posso dar é "Pós-Tudo: 50 Anos de Cultura na Ilustrada", uma delícia. Ele fala com muito mais empolgação de "1922", então dá para ter uma ideia.

* "A Trama do Casamento" (Companhia das Letras), de Jeffrey Eugenides
O livro que o "rival do bem" de Jonathan Franzen e vencedor do Pulitzer demorou seis anos para escrever. Estilo Franzen, mas, dizem, melhor. Isso me obriga a ler também, droga. Parece que a Companhia queria trazê-lo para a Flip, parece que não rolou, parece que isso é bom para evitar uma saia justa com Franzen, que está confirmado. 

* "The Spoiler" (Companhia das Letras), de Annalena McAfee
É cabotinismo, quero ler porque é sobre jornalismo. E, dizem, muito bom. Annalena é mulher do Ian McEwan (Annalena McAfee McEwan? Ainda bem que ingleses não acumulam sobrenomes)

* "Expurgo" (Record), de Sophie Oksanen
Faz mais de um ano que ouço Luciana Villas-Boas falar desse livro com empolgação acima da média. A Luciana acaba de sair da Record, de onde era diretora editorial fazia 17 anos, mas o livro fica. A autora, finlandesa, virou sensação na França com ele.

* "Open City" (Companhia das Letras), de Teju Cole
Cole, nigeriano radicado nos EUA, estreou na literatura com esse livro sobre raça e identidade em Nova York, e isso bastou para um alentado perfil na "New Yorker" e outro na "Economist". Eu preciso ler nem que seja para descobrir se um dia o excesso de propaganda não vai parar de arrasar com as minhas expectativas.

* "Jogador Número 1" (Leya), de Ernest Cline
Outra estreia, esta inspirada em games e prestes a virar filme 3D, uma ficção científica que se passa em 2044. Nerd até o osso (oba) e também o livro preferido da Diana Passy em 2011 (recomendação respeitável). Já está na mão faz alguns meses, só falta ler.

* "1Q84" (Alfaguara), de Haruki Murakami
Os dois primeiros livros da trilogia do autor japonês que faz referência e questiona ao mesmo tempo o clássico de George Orwell. E que seria meu primeiro livro no Kindle, se eu tivesse conseguido comprar. Sei lá porque cargas d'água consegui pegar só uma amostra.

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Escrito por Raquel Cozer às 20h54

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Empresas querem medir vendas de livros no Brasil


Os mais vendidos de 2011, segundo Publishnews, que contabiliza dados de lojas cujas vendas somam 35% da comercialização em livrarias no país (Fabio Braga/Folhapress)

 

No fim do ano passado, num post sobre os livros mais vendidos de 2011, escrevi sobre a ausência, no Brasil, de uma empresa que aferisse as vendas de livros, tal como a Nielsen, nos EUA.

De lá para cá, a Patrícia Campos Mello, repórter especial da Folha, e eu nos debruçamos sobre os números incertos do mercado editorial. E apuramos que duas das maiores empresas estrangeiras que fazem esse tipo de medição querem entrar no país.

Abaixo, um trecho da reportagem, capa da Ilustrada de sábado.

***

Gigantes em pesquisa de mercado querem medir vendas de livros no Brasil em 2012; dados imprecisos prejudicam expansão do setor

 

PATRÍCIA CAMPOS MELLO
RAQUEL COZER
DE SÃO PAULO

A Nielsen e a GfK, duas das maiores empresas de pesquisas de mercado do mundo, planejam começar a medir as vendas de livros no Brasil ainda neste ano. Hoje, o mercado brasileiro não é aferido de forma confiável por nenhum instituto do gênero e depende de dados de editoras e livrarias, que nem sempre informam os números verdadeiros.

Num momento em que o mercado editorial brasileiro chama a atenção internacional --o exemplo mais recente foi a aquisição de 45% da Companhia das Letras pelo grupo britânico Penguin--, a falta de dados concretos prejudica decisões editoriais e interfere em seu crescimento.

"Hoje, o processo é impreciso e lento. Só sabemos números de vendas pelas livrarias de forma aproximada", diz Roberto Feith, vice-presidente do Snel (sindicato dos editores) e diretor presidente da editora Objetiva. "Com a Nielsen, teremos em tempo real a venda por título, o que ajudará a evitar a falta de livros nas lojas e o desperdício de tiragens", diz.

***

A íntegra do texto está aqui e aqui, para assinantes da Folha ou do UOL.

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Escrito por Raquel Cozer às 18h46

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Uma prévia de "Precisamos falar sobre o Kevin"


Tilda Swinton e Ezra Miller (esse Kevin lindo que foram arrumar) em cena do filme

Acho que nunca emprestei um livro tantas vezes, algo como sete ou oito vezes, quanto "Precisamos Falar sobre o Kevin", da Lionel Shriver.

O livro me pegou de um jeito que, por anos, fiquei com medo de folhear de novo. Porque no meio do caminho a Carol Bensimon --escritora gaúcha, autora do ótimo "Sinuca Embaixo D'Água"-- leu, após indicação minha, e não achou tudo isso (a única pessoa que conheço a pensar assim). E, até por respeitar demais a opinião dela, achei melhor me proteger do risco de descobrir que eu estava errada.

Ontem vi o filme, que estreia agora dia 27 no Brasil. Não vou falar dele ainda. Mais pra frente, um pouquinho. Antes quero reler o romance (tomei coragem). Por ora, digo que a adaptação surpreendentemente deixa muito, muito pouco a dever ao original --porque filmes quase sempre devem um bocado ao livro--, até onde é possível transpor informações narrativas. O filme é tão bom que lamentei não ter podido recorrer aos serviços de uma Lacuna Inc. (ref. cit. Charlie Kaufman) para me abismar de novo com momentos-chave da história.

E, por enquanto, fica também aí um dos trailers divulgados desde o ano passado. Direção e adaptação são da Lynne Ramsay, cujo trabalho eu não conhecia. E a trilha sonora é para ouvir até cansar.

***

Por falar no livro, a capa da edição brasileira, que tanto elogiei (a mais bonita de todas as edições internacionais que vi) vai mudar. A partir da sexta-feira, o livro chega às lojas com a clássica "capa do filme". Mais chamativa, indeed, mas ainda fico com a original.

 

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Escrito por Raquel Cozer às 15h29

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Dois dias e meio de "Liberdade"


Ilustração de Arkady Zaifman, designer israelense

Não tinha expectativa de tirar "Liberdade", de Jonathan Frazen, tão cedo da lista de livros a serem lidos. A verdade é que essa lista tende ao limbo (é mais fácil entrar que sair dela), mas me consola com seu efeito de transformar intenção em redenção --na linha "não é que não eu valorize, o tempo é que não deu trégua". Ainda mais para quem trabalha com livros, que raramente pode se dar ao luxo de atravessar 600 páginas sem motivo profissional imediato, já que sempre haverá outro na espera. 

Dias atrás percebi que andava com tempo livre fora do horário de expediente (não contem para a chefia) e resolvi arriscar. O Gui tinha acabado de ler, num longo processo de "estou gostando", "não está rolando", "é bom", "é mais ou menos". A leitura dele envolveu tantos estados de espírito que me senti obrigada a tirar a dúvida. Arranjei até motivação profissional: afinal, o homem vem para a Flip.

Calhou de a leitura coincidir com um final de semana de febre, o que significa que tive dois dias para ler no sofá. E três madrugadas. Terminei às 4h de segunda para terça, depois do trabalho, caindo de sono, porque as últimas páginas de livros enormes sempre me incitam a terminar logo.

Não posso dizer que tenha terminado com raiva porque muito antes disso já tinha desistido da reviravolta que ninguém me disse que ia ter, mas na qual eu me fiava como explicação para aquele retumbante "livro do século" que o Guardian resolveu inventar. E não dá para jogar a culpa no Franzen, que até ficou incomodado com o confete todo (isso, mais a capa da "Time" que nenhum outro autor na década tinha merecido, mais o indesejado sucesso, outra vez, no clube do livro da Oprah). 

"Liberdade" não entraria entre os meus dez melhores de 2011, se eu o tivesse lido no ano de lançamento. Apesar de às vezes eu reclamar da mania de metaliteratura ou de firulas afins, um romanção com esse orgulho do resgate realista me dá certo enfado. Cresci lendo coisas assim, então o realismo é algo que não procuro mais.

É engenhosa a descrição da sociedade americana ao longo de um punhado de décadas a partir da vida de uma família, mas sempre espero da literatura algo que me faça pensar em mais que no conteúdo explícito. Nesse sentido, não se pode dizer que Franzen não seja honesto --não tem palavra nenhuma por ali que não seja estritamente necessária para o que ele quer dizer. São 605 páginas sem nenhuma gordurinha (e, se pensarmos bem, muito da literatura ruim que se faz hoje é de gente que acha que um texto que não diz nada é literário se enganar na forma).

Depois do novelão familiar, a política fica ostensiva demais, talvez --os jovens que lucraram horrores em cima da guerra, os republicanos que usaram causas sustentáveis para encobrir interesses insustentáveis, os democratas que... ai. Talvez a melhor definição tenha sido a do Sérgio Rodrigues: "Liberdade" é democrata no conteúdo e republicano na forma. O que sei é que  me incomodou o fato de concluir que reproduzimos no Brasil --tal como fizeram na Inglaterra-- um deslumbre que faz mais sentido quem é americano e se vê retratado ali. 

Se posso concluir algo, é que "Liberdade" não é o meu romance do século, nem o dos 20 e tantos anos desde que aprendi a ler, mas talvez o fato de eu tê-lo atravessado em menos de três dias diga muito a favor dele. De todo modo, espero que não seja minha melhor leitura de 2012.

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Escrito por Raquel Cozer às 22h00

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Vídeo: não há nada como um livro de verdade

Lembra do "Organizing the Bookcase"? Ok, ninguém vai lembrar pelo título, até porque o título é um desses gerúndios que machucam a vista e a gente evita olhar, mas esse era o nome de um vídeo fofo com os livros passeando, em ritmo mexicano, pelas prateleiras. Entrou no ar no passado e publiquei no blog quando o blog ainda não morava aqui.

Quase um ano depois, o casal que criou aquele vídeo na sala de casa preparou um novo, desta vez usando uma livraria inteira em Toronto. Um trabalho nada simples.

Não há nada como um livro de verdade, eles concluem (ops, contei o final). Mas, hm, defina livro de verdade. Acabo de receber meu Kindle Touch e tenho a intenção de dominar o mundo com ele.

Via essa garota Clarice Cardoso.

Escrito por Raquel Cozer às 17h56

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Literatura desenhada, para bons entendedores

O maravilhoso mundo dos links. Via SuperPunch, um desses blogs cujos feeds eu não lembrava ter assinado, cheguei ao Dharblr, tumblr cujo nome nem saberia pronunciar (dárbler, assim como tâmbler?), mas que me fez descobrir dois projetos de ilustração bacanas de uma vez só.

Um deles é o One Hour Drawing, de onde saiu o homenzinho das cavernas lendo "A Origem das Espécies" acima. O autor, Dustin Harbin (que também assina o Dharblr, porque essa gente adora se multiplicar em páginas na rede), se compromete a fazer cada desenho que posta no Flickr em uma hora (muitas vezes demora mais que isso, ele admite, nunca menos, porque sempre dá para melhorar até completar uma hora), a partir de palavras sugeridas pelos leitores. 

Alguns deles têm motivações literárias, e foi daí que tomei conhecimento do outro projeto, para onde eles foram feitos. Esse outro projeto é tão antigo, na verdade, mas tão antigo, que seria educado vocês fingirem que não é uma aberração eu só tê-lo conhecido agora.

Trata-se do Hey, Oscar Wilde! It's Clobberin' Time! (ei, Oscar Wilde! É hora do pau!), que publica ilustrações de uma infinidade de artistas interpretando seus autores, personagens e livros preferidos. Existe desde 1998 e está hoje em sua décima encarnação sem que eu tenha conhecido nenhuma das anteriores. O acervo é tão grande que eles têm uma monte de modelos de cabeçalho (basta atualizar o browser).

Seria mais legal só se eles não colocassem o título enorme com o nome do personagem/autor/história retratado, para dar a chance de a gente chutar. Alguns exemplos abaixo, para quem quiser tentar.

 

 

Legendas: 1) Arthur Conan Doyle, por Graham Annable; 2) "Carrie, a Estranha", de Stephen King, por Ryan Cody; 3) William S. Burroughs, por Ray Fawkes; 4) Berko Shemets, de "Associação Judaica de Polícia", de Michael Chabon, por Tom Fowler; 5) Don Delillo, por Sonny Liew

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Escrito por Raquel Cozer às 20h52

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Notícias da escuridão - livros para entender a Coreia do Norte


Mulher e filho chorando (ou não) pela morte de Kim Jong-il, em dezembro

Saiu na "Ilustríssima" deste domingo texto meu sobre três livros que ajudam a entender a Coreia do Norte, país que voltou com força ao noticiário com a morte do líder Kim Jong-il, mas que, ainda assim, permanece uma incógnita --o que chega até o exterior em geral são apenas leituras críticas do teatro apresentado pelo regime norte-coreano.

Os livros são o sensacional "Nothing to Envy", escrito pela jornalista americana Barbara Demick a partir de depoimentos de refugiados norte-coreanos; a HQ "Pyongyang", que o cartunista canadense Guy Delisle publicou depois de passar dois meses num estúdio de animação na capital da Coreia do Norte; e o ensaio "The Cleanest Race", em que B.R. Myers, estudioso do país, mostra como a dinastia Kim usou a cultura para alimentar um sentimento de superioridade racial que, segundo ele, é inerente à população da Coreia.

A reportagem está aberta apenas para assinantes Folha/UOL, mas segue a íntegra da entrevista com Barbara Demick, com direito a bastidores da política local, a partir de boatos que correm entre norte-coreanos.

***

Aliada, mas próspera, China é ameaça à Coreia do Norte
 
Barbara Demick foi correspondente do "Los Angeles Times" em Seul de 2001 a 2007, período em que entrevistou mais de cem dissidentes norte-coreanos para reportagens e para o livro "Nothing to Envy", de 2010 -por aqui, sairá em 2013, pela Companhia das LEtras. Também visitou a Coreia do Norte em diversas ocasiões. Demick falou por telefone à Folha de Pequim, onde é correspondente desde 2007.

Quais suas expectativas para a Coreia do Norte com a morte de Kim Jong-il? É possível imaginar mudanças?
Não imediatamente. No momento, o novo líder militar é quem parece estar no controle. Mas esse país que estava fazendo barulho é muito mais fraco sem Kim Jong-il. Kim jong-un, o filho sucessor, é uma figura-chave, mas sem mudanças reais na economia o país não vai sobreviver. A única alternativa será reconhecer que o país ficou para trás na comparação com o resto da ásia e encontrar uma maneira de abrir a economia, talvez com a ajuda da China. Ou eles mudam a economia, ou colapsam. Não significa que a eventual ajuda da China possa evitar o colapso. Mas, de todo modo, mudanças são necessárias.

Embora não tenha sido essa a mensagem que eles passaram nas últimas semanas...
Creio que eles estejam tentando mostrar que não haverá mudanças, avaliando primeiro sua força militar, confrontando a Coreia do Sul. Mas não vejo como Kim Jong-Un possa governar da mesma maneira que o pai. Se quer sobreviver como líder, precisa oferecer ganhos econômicos para o povo.

E ele terá poder para isso?
Certamente, os militares têm o poder. E o tio de Kim Jong-un, Jang Song-thaek, tem o poder. O interessante é que Jang Song-thaek é considerado reformista por alguns. E há uma impressão, e isso é um boato político que corre na Coreia do Norte, o que pode significar que não seja verdade, de que ele gostaria de abrir a economia, mas Kim Jong-il não quis. É a percepção de muitos norte-coreanos, a de que Jong-il bloqueou a reforma. Então, Kim Jong-un, com Jang Song-thaek, ou junto com os militares, pode reconhecer a necessidade de crescer. Pode ser otimismo, mas creio nisso.
 
A conversa com a Coreia do Sul foi interrompida em 2008, e em 2010 houve o naufrágio do navio sul-coreano na costa norte, que a Coreia do Sul atribuiu a um ataque. É possível a evolução para um conflito?
O naufrágio foi parte de uma linha política geral da Coreia do Norte, mas de fato os sul-coreanos não quiseram reagir, apesar de avaliarem que os norte-coreanos foram responsáveis. A Coreia do Sul tem muito a perder e, nessas situações, em que o norte tenta criar uma atmosfera de incerteza, sempre recua. Como economia moderna e desenvolvida, sabe que as tensões podem lhe ser danosas. Os sul-coreanos cortaram a ajuda ao norte, mas não houve resposta militar.
 
Como foi a interrupção das conversas entre os dois países?
Desde que Lee Myung-bak se tornou o presidente da Coreia do Sul, em 2008, as relações ficaram mais difíceis. Myung-bak é conservador, encerrou a ajuda humanitária à Coreia do Norte, e eles não gostaram, é claro. Eles esperam que um governo de esquerda volte ao poder nas próximas eleições.
 
Essa posição afetou a forma como os sul-coreanos recebem os refugiados norte-coreanos, com os cursos de adaptação e os subsídios que você descreve no livro?
Sim, afetou. O governo da Coreia do Sul tem sido mais receptivo aos dissidentes que governos anteriores. Tipicamente, os governos de esquerda na Coreia do Sul não foram tão receptivos, porque não querem irritar a Coreia do Norte.
 
No livro, você informa que no início da década havia 6.000 dissidentes norte-coreanos na Coreia do Sul e que os sul-coreanos mais jovens não são sensíveis à situação como eram seus pais. É possível que a população passe a rejeitá-los?
Os refugiados já não são tão bem recebidos pelo povo sul-coreano, que sabe que sai caro para o governo assimilá-los. Não há impacto nos empregos, já que o número é pequeno, ainda não chega a 10 mil, mas eles não são bem recebidos como eram num passado recente. Porque não são mais novidade.
 
O livro descreve reações impressionantes na morte do fundador Kim Il-sung, com gente desidratada de tanto chorar, enquanto outros fingiam para não serem delatados. Agora, com a morte do filho dele, houve comentários sobre o governo ter pago mulheres para fingirem, mulheres inclusive mais saudáveis que a média do país.
Não acho que tenham sido pagas, mas acho, sim, que a população de Pyongyang se sentiu encorajada a exagerar as emoções em frente as câmeras, para mostrar uma falsa tristeza, por imaginar que era o melhor a se fazer. Era visível que a maioria estava gritando e apertando o peito, mas com os olhos secos, sem nenhuma lágrima. Sobre parecerem mais bem-nutridas que a média, isso é o padrão de Pyongyang, a única cidade que a Coreia do Norte apresenta para o mundo. O governo não permitiria que pessoas de classes menos privilegiadas aparecessem na televisão.
 
Você fala no livro sobre como a força do governo veio da capacidade de isolar os cidadãos, Isso está mudando?
Está mudando por causa da China. A fronteira entre China e Coreia tem mais de mil quilômetros, e muita informação acaba entrando, telefones celulares, filmes, DVDs, computadores... Foi o crescimento da economia chinesa que tornou difícil para a Coreia do Norte manter do lado de fora o mundo exterior.
 
Nesse contexto, não se pode imaginar uma espécie de reação popular, como no Oriente Médio?
Eu até poderia imaginar algo assim. Bem, a população na Coreia do Norte é muito, muito mais controlada do que na Síria. Eu poderia imaginar mais algo como na Tunísia, quando uma pessoa protesta e a coisa acontece espontaneamente. Algo mais espontâneo do que organizado, porque não há uma oposição política organizada na Coreia do Norte, não há espaço para isso.
 
É ainda uma minoria que se sente prejudicada pelo governo?
É difícil pôr em números, mas decerto é um número cada vez maior. Em especial aqueles que vivem perto da fronteira chinesa, porque eles podem ouvir a televisão estrangeira, são mais expostos ao mundo exterior. Curiosamente, a China é, apesar de um país aliado, uma das maiores ameaças, porque as pessoas que fogem da Coreia para a China acham que a China pode ser ainda mais pobre e descobrem que os chineses comem melhor e têm eletricidade. A exposição à China à muito perigosa para os ideiais do governo norte-coreano.
 
O livro mostra como a força do governo diminuiu a partir dos anos 90, já que a comida distribuída era o melhor meio de controlar a população e até de fazer uma espécie de censo, mas as rações minguaram.
Sim, isso é muito forte. No passado mesmo a população estava muito mais preocupada em se portar da maneira mais correta possível, denunciando quem estivesse por perto e dissesse algo que pudesse ser ofensivo ao governo. Depois, com a fome, surgiu o mercado negro, e o governo fez vista grossa. Kim Jong-Il dizia que o mercado negro era perigoso para o socialismo, porque as pessoas descobriram que preferiam comprar a esperar presentes do governo, ofertas que poderiam nunca vir. Não há dúvida de que o governo está muito mais fraco nesse controle.
 
E o quão confiáveis são as estatísticas de morte por fome, se hoje nem o governo sabe pessoas vivem no país?
Há uma série de estudos. O número é algo entre 1 milhão e 2 milhões de mortos pela fome desde os anos 90. Um dos motivos pelos quais é difícil calcular é que não é como a pessoa caísse e morresse de fome. A fome causa morte de diferentes maneiras. Algumas pessoas pegam doenças que seriam controláveis em outras circunstâncias, mas que matam na fraqueza. Então é difícil medir porque nem todos morrem de inanição, mas porque comem comidas substitutas, madeira, bagaços sem nutrientes. Fala-se em 2 milhões, mas é muito mais que isso. Se você vê a média de vida ao longo dos últimos 20 anos, você vê que aquele que morria com 70 agora morre aos 63, e crianças que seriam adultos morrem com dois ou três anos.
 
Com a pobreza, como anda a indústria de cinema em que Kim Jong-il tanto investiu?
Hoje se faz muito poucos filmes, eles não tem mais dinheiro nenhum para isso, todo o dinheiro que têm investem nas ambições nucleares. Fui três anos atrás no festival de cinema de Pyongyang, e havia muito, muito poucos filmes de propaganda. Que, embora fossem de propaganda, eram uma distração para a maior parte da população; houve uma época em que se produziam mais de 40 filmes por ano.
 
Sendo uma jornalista que lidava com autoridades norte-coreanas, sabe se o seu livro repercutiu de alguma forma dentro do governo?
Não ouvi nenhuma reação. Os norte-coreanos do goveno não passam muito tempo lendo o que se escreve sobre eles. Acho que o livro é bastante crítico a eles, mas tentei ficar longe dos estereótipos da Coreia do Norte. Para quem não cresceu sendo doutrinado a acreditar que Kim Il-sung e Kim Jong-il foram heróis, é muito simples tirar sarro do pensamento do povo norte-coreano, mas tentei levá-los a sério.
 
Você leu a HQ "Pyongyang", de Guy Delisle?
Sim, não é ótimo? Eu adorei aquele livro.
 
Ele passa uma visão da população bem diferente da que você passa.
Sim, acho que ele não teve oportunidade de conhecer as pessoas direito. Conheceu só Pyongyang, onde você conhece o que o governo quer que você conheça. Lembro-me de um oficial da Coreia do Norte que encontrei há alguns anos em Pequim e que me disse que os filmes ocidentais nunca mostravam os norte-coreanos como pessoas de verdade. O que eu fiz foi tentar isso, levá-las a sério. Eles podem até não gostar do resultado, mas não deveriam me criticar muito por isso.

Escrito por Raquel Cozer às 12h14

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Leya enxuga em Portugal e cresce no Brasil

Quando o grupo português Leya chegou ao Brasil, no final de 2009, não foi pouca gente que achou que não daria certo. Os executivos portugueses tinham passado mais de um ano fazendo propostas de compra para outras editoras, todas recusadas.
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Acabaram estreando por contra própria, com um catálogo cuja grande aposta inicial era "História de Canções - Chico Buarque", de Wagner Homem. O livro não virou nenhum fenômeno, mas outro que fazia parte da mesma leva, de um autor estreante, lançado sem nenhum estardalhaço, virou best-seller na base do boca a boca. Era "Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil", de Leandro Narloch, esse livro que tanto divide opiniões --dois anos depois, fechou 2011 como o sétimo título mais vendido no Brasil, segundo ranking do "Publishnews".
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Dos 30 mais vendidos de 2011, cinco títulos foram da editora. O mais bem colocado da casa, "A Guerra dos Tronos", de George R.R. Martin, ficou em sexto lugar. Isso permitiu inclusive outras apostas ousadas  --ainda no ano passado, meu amigo Alexandre Versignassi lançou seu livro de estreia, "Crash - Uma Breve História da Economia", com tiragem inicial de 20 mil, algo considerável para um estreante no Brasil (as vendas parece que vão muito bem, obrigada).
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A notícia que sai agora no jornal português "Público", assinada por Isabel Coutinho (e que me chegou via Diana Passy), é que a editora está reduzindo as operações em Portugal, onde mais de 30 pessoas já foram demitidas desde terça-feira, e planeja um "forte crescimento" no Brasil para 2012, onde aumentará o número de funcionários de 600 para 700 (em Portugal, são pouco mais de 500).
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Em 2011, a Leya já havia iniciado por aqui a atuação no segmento de educação, um investimento altíssimo num mercado que não para de crescer. Por lá, o foco ficará mais na produção de conteúdos digitais e de ensino à distância, enquanto as edições gerais, tanto na produção editorial quanto nas vendas, serão reduzidas.

Escrito por Raquel Cozer às 22h39

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Sugestões de leitura para o verão

Indicações de leitura para o verão, como as feitas pelos jornais gringos, nunca pegaram no Brasil --talvez porque lá elas saiam no meio do ano, quando ninguém está fazendo retrospectivas, enquanto aqui a gente já começa a estação empapuçado de listas de melhores do ano.

Mas uma seleção com opções bem variadas e que foge do modelo ranking (os livros nem precisam ser de 2011) saiu no blog Meia Palavra agora no finzinho do ano, com sugestões de jornalistas, editores, escritores, colaboradores do blog etc., e vem bem a calhar para quem quer alguma dica. Em três partes, aqui, aqui e aqui.

A minha escolha foi essa abaixo. Mas foi tão sofrida que pode ser que eu mude de ideia nos próximos 20 minutos.

"Dentre os livros que me roubaram horas de sono em 2011, 'o remorso de baltazar serapião' foi implacável --tomou logo a noite inteira. O curioso foi que comecei a ler de má vontade. Aquela coisa de o valter hugo mãe escrever tudo em minúsculas me parecia uma afetação sem tamanho. Mas logo nas primeiras páginas fui levada pela narrativa, de um humor sutil, que transforma numa coisa só o sentimento amoroso mais puro e a violência mais sórdida. O romance não tem mais que 200 páginas, e o fato de ser todo em minúsculas acaba dando ritmo acelerado à leitura, mas é bem o tipo de escrita que faz ter vontade de reler páginas inteiras, para saborear. Isso sem falar no tempo de digestão que exigiu de mim…"

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Escrito por Raquel Cozer às 19h24

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Até 2012!

Uma animação de Ano-Novo pra começar bem 2012. Dirigida e animada por Anton Korolyuk e Artem Bizyaev.

Até mais!

Via Neatorama.

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Escrito por Raquel Cozer às 19h52

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abibliotecaderaquelRaquel Cozer, 33, é jornalista especializada na cobertura de livros e repórter da "Ilustríssima".


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